RIP Bill Cunningham

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No último sábado tivemos uma perda lastimável no mundo da moda: o pioneiro do streetstyle, a grande lenda da fotografia de moda Bill Cunningham faleceu. Fiquei muito triste, chorei muito, pois tinha um enorme respeito, admiração e carinho por ele, sem falar que ele deixará muitas saudades. Nem gosto de imaginar agora as semanas de moda sem ele. Bill era uma pessoa fora do comum, acredito que uma das poucas que conheci, talvez a única, que praticamente atingiu o nirvana. Era uma pessoa muito, muito alegre, muito querida (sempre ouvia um “hello child”, ele costumava chamar praticamente todo mundo de “child”). Além disso, a gente percebia em seu sorriso e dedicação (fazia sol, chuva, neve, frio e ele sempre estava nas ruas com sua bike fotografando roupas) que ele fazia o que mais amava, sem se deixar influenciado pelo narcisismo, futilidade, arrogância que tanto se vê na indústria de moda. Pensar que ele era fotógrafo de um dos jornais mais importantes do mundo, The New York Times, frequentava as festas mais badaladas e chiques de Nova York, sentava nas primeiras filas de todos os desfiles e…. optou por uma vida livre, ou seja, sem ostentação, dinheiro (ele não aceitava os cheques que recebia das revistas de moda, comia apenas sanduíches nos almoços/jantas e nas festas costumava apenas tomar uma água). Dizia que o dinheiro não dava liberdade. A liberdade custa caro. E é verdade, o difícil é se livrar de tudo isso e Bill conseguiu. Ele apenas tinha uma bike, sua câmera e um clássico uniforme que você já o reconhecia de longe: o famoso casaco azul.

Para quem não o conhece, eu super recomendo o documentário Bill Cunningahm New York: um filme de Richard Press:

Aproveitei para selecionar alguns depoimentos dele:

“I don’t decide anything,” he said in the 2010 documentary Bill Cunningham New York. “I let the street speak to me, and in order for the street to speak to you, you’ve got to stay out there and see what it is.” – Bill

“When I’m photographing,” Mr. Cunningham once said, “I look for the personal style with which something is worn — sometimes even how an umbrella is carried or how a coat is held closed. At parties, it’s important to be almost invisible, to catch people when they’re oblivious to the camera — to get the intensity of their speech, the gestures of their hands. I’m interested in capturing a moment with animation and spirit.”

“It’s about clothes! And not celebrity!” – Bill

Bill não focava em celebridades, ele apenas se importava com a roupa. Bill nunca foi um paparazzi correndo atrás de celebridades. Pelo contrário, ele fugia da muvuca e ia atrás do que ele achava bonito e que tinha estilo. Isso é outro elemento que sentirei falta, porque Bill era como um termômetro, ou seja, aonde ele estava era porque valia a pena. Se você encontrava com ele, era porque estava no lugar certo. Fico totalmente sem chão nesse quesito, pois é como se eu tivesse perdido um mentor, pois o considerava o mestre, o cara que realmente entendia sobre moda e do que estava fazendo.

Um dos locais onde Bill adorava fotografar era a esquina 57th street com a 5th avenue. Está rolando uma petição online para sensibilizar o prefeito para colocar uma placa de sinalização nessa esquina para homenagear o fotógrafo. Para assinar a petição é AQUI.

Enfim, foi uma perda enorme. O mundo da moda não será mais o mesmo sem ele, pois ele criava tendências, criava moda. Por fim, a foto abaixo foi um registro que fiz dele. Essa imagem ficará na minha memória, pois capta a essência desse grande mestre que poderíamos considerar um santo.

Descanse em paz, Bill. E continue fotografando aonde você estiver!

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